
Frangalhada, de Pedro Guimarães
Após uma prooolongada Silly Season, volta tal como anunciado, o Ócio. A festa da Rentrée continua a ser preparada e, com sorte, acontecerá ainda antes deste Natal. No entanto o blogue vai começar já a funcionar, contrariando o natural suceder das coisas (a inauguração vai acontecer já com as obras concluídas e o edifício a funcionar). E está a introdução feita.
Antes de mais não posso deixar de fazer um registo sumário (no que toca à blogosfera vimaranense) do que aconteceu durante a minha "ausência". Para além dos que não fizeram férias, há novos projectos (alguns quase dando continuidade a outros entretanto encerrados), e há o voltar-ao-activo de blogues importantes para a cidade e o fim do anonimato de alguns, como este. Por tópicos:
1. Os novos blogues de Guimarães: Memórias de Araduca, assinado pelo saudoso António Amaro das Neves; Café Toural, pelo Bando dos Oito; O São Nicolau, por três nicolinos com outros blogues; e Uma Narper, um pouco parado, do Uma Naro Pero.
2. Os regressos: Colina Sagrada, que reentra em grande com o convite a vários bloguers para comentar os 5 Projectos para Guimarães; e Mater Matuta, que "acaba com o anonimato" e se revela Tiago Laranjeiro (já o sabíamos laranja...).
3. Os contínuos: Um Certo Olhar; A Divina Desordem; Bionico; e Zuminho.
Feito o registo sumário, que já toda a gente deve conhecer, vou alongar-me agora na conversa.
Eu Spicka de Guimarães, sou o Cláudio Rodrigues. É altura, (e aproveitando a onda do Ergolas), de acabar com o anonimato que nunca o foi. A minha "ausência" (com aspas porque andei sempre por aqui) deu-me tempo para reflectir e chegar à conclusão que assinar o que escrevo com nicknome não faz sentido. Ponto final.
Gostava de agradecer publicamente o convite feito pelo Samuel Silva para comentar na sua Colina os 5 Projectos para Guimarães. A ideia é salutar e importante, visto a discussão ter sido tão escassa, até na imprensa local. Há que dar mais importância ao que se escreve pelos blogues, a discussão também anda por aqui! Por falar nisso...
Paulo Saraiva Gonçalves (PSG). Autor da coluna Coluna Com Vista Sobre a Cidade, no Notícias de Guimarães, PSG proporciona-me semanalmente alguns minutos de puro humor e largas gargalhadas. A sua última crónica quase que me deixava sem ar de tanto rir! O Ergolas também a leu... Começa assim:
"Conforme tinha prometido, há duas colunas/semanas atrás vou aqui dar a minha opinião sobre os 5 projectos que prometem mudar Guimarães, como a conhecemos. Fá-lo-ei à minha maneira. Despretensiosamente e sem querer aqui repetir opiniões recolhidas aqui e ali, chapando-as como minhas."
Ok. Esta parte não tem piada nenhuma, até (muito sinceramente) me alegrou. Pela primeira li a verdadeira opinião do PSG, sem necessidade de fontes! Mas cometi um erro: continuei a ler... Se é certo que o primeiro parágrafo é deveras original, o resto do texto não me é nada estranho, tendo eu já lido este, este, este e este textos. Não resisto a salientar uns pormenores:
PSG: Parece-me que tanto podia estar a ver o Toural como a Avenida Central em Braga ou o largo que fizeram no Centro de Celorico.
Fonte: Acho este projecto demasiado semelhante à Avenida Central bracarense [...].
PSG: Não vou pelo fait divers das arvorezinhas, coitadinhas, porque não me parece que esse seja realmente o cerne da questão. Árvores já as lá, na Alameda, temos e a qualquer altura se podem lá, no Toural, “colocar” outras.
Fonte: Na discussão que tem vindo a lume acerca do projecto de renovação do Toural, o debate tem-se centrado num detalhe (as árvores), em vez de dissecar a substância (o parque de estacionamento e o atravessamento subterrâneos). Qualquer decisão de retirar as árvores terá sempre volta, se se acabar por constatar que foi um erro. Bastará plantar outras, tal como já antes se fez, em diferentes ocasiões [...].
PSG: Não me sinto também habilitado a dizer qual seria a solução para dar o tal carácter, a tal imponência e dimensão histórica que falta à nossa Praça Maior [...].
Fonte: Plaza Mayor, ou Toural.
Atenção: o que PSG faz não é copy & paste! Apenas é pouco original e limita-se quase a reinventar pobremente aquilo que lê por aí. É pena, pois uma página de jornal, embora ímpar, podia ser bem melhor aproveitada... Faça um esforço, caríssimo!
Para finalizar, e de forma muito muito muito sucinta, o "caso" Café Expresso do Ave. Confesso que bastou um parágrafo há alguns anos atrás, ao travar conhecimento com o jornal, para chegar à conclusão que nem sequer com muito esforço vale alguma coisa. Mas isto que aconteceu não se admite! A Gerência do Café Toural, com o seu "simples exercício para ver como funcionava o [...] jornalismo de copy & paste", teve uma ideia brilhante!
Sou leitor assíduo de blogues. Principalmente dos que dizem respeito a Guimarães e já por várias vezes referi, aqui na Coluna, alguns desses espaços individuais de opinião. Volta e meia, quando acho que devo, chego mesmo a recomendar um ou outro.
Ainda que mantenha um espaço na blogosfera, onde coloco os textos que aqui escrevo, não tenho a veleidade de considerar que tenha um blogue. Não é actualizado regularmente, chegando a haver até quinze dias entre postagens. Na Coluna de 19 de Outubro de 2007, por exemplo, dei os parabéns ao blogue Colina Sagrada pelo convite que endereçou a cinco bloggers vimaranenses, para que cada um deles desse a sua opinião sobre um dos cinco projectos que a CMG apresentou, dando assim sequência e alargando o espectro do repto lançado pela própria autarquia que disponibilizou on-line as apresentações dos projectos, fomentando, assim, a sua discussão pública.
Os blogues, e nesse particular os que versam sobre Guimarães não são excepção, têm a facilidade de poderem ser actualizados pelos seus autores, consoante a disponibilidade de cada qual, querendo isto dizer que se esta for muita, os posts diários poderão aumentar na razão directa. Se pensarmos que existirão mais de dez blogues vimaranenses, com pelo menos uma actualização diária, estamos a falar de uns setenta posts. Numa semana.
Eu, nesta singela coluna, “tenho direito” a um único, passe a expressão, post semanal. E com limite de caracteres.
À quantidade de assuntos que são abordados nos blogues – que leio porque quero e gosto e que, tal como livros ou mesmo os jornais, revistas que leio e demais media que oiço ou vejo, acabam por, de uma ou de outra forma, influenciar aquilo sobre o qual escrevo – acabará por ser normal que os meus “desabafos” coincidam com muito do que se escreve na blogosfera.
Aparentemente quebrei um qualquer código, que desconhecia, quiçá por não ser blogger, de não poder abordar assuntos que já tenham sido abordados por outrem. E é-me vedada a concordância com opiniões emitidas por bloggers, nem que seja em algo tão banal como dizer “Parece-me que tanto podia estar a ver o Toural como a Avenida Central em Braga”, opinião expressa, também, num blogue de Tiago Laranjeiro (http://matermatuta.blogpsot.com).
Não posso concordar, ainda que concorde, de facto, com o que o Tiago escreveu. Ainda que tenham sido várias as pessoas, a dar opinião idêntica, na apresentação pública dos projectos que decorreu no CCVF, de tão óbvia que é a semelhança com aquela praça bracarense…
E ainda que, em conversa com amigos, tenha gracejado, antes sequer de ter lido o texto do Tiago, dizendo que aquilo é tão parecido com a Av. Central, que até o João Gomes Oliveira (ex-presidente do Braga) andava por lá a passear, devido às parecenças de um dos “figurantes” colado nas ilustrações do projecto, com esse empresário bracarense. Não. Não posso. É plágio. Ou copy-paste.
Caiu o Carmo e a Trindade. Aqui d’El Rei, que este anda armado em Clara Pinto Correia. Eu, o herege, até disse que o Toural sem árvores não me faz confusão.
E juizinho, não?
Meus caros bloggers, peço desculpa por ter afrontado tão novel – e no entanto, já tão forte e coesa – corporação.
Esta coluna, que é de autor, na sua maioria, consiste na descrição de experiências minhas, ou de amigos e familiares, com mais ou menos piada e de situações que vou recortando, ali e acolá e que acho que aqui, aos meus leitores poderão interessar. Há quem goste e há quem não goste. Os segundos, têm bom remédio. E sabem qual é.
Mal de mim se de cada vez que usar a expressão direito à indignação, tiver de referir o seu pai, por exemplo.
Eu tenho opinião diferente da da maioria, no que toca a muitos assuntos. Mas não me sinto obrigado a ter opinião diferente, só porque sim, para fugir do mainstream. E não me custa nada admitir que os argumentos de outros, que vou recolhendo, aqui e ali, quando os considere bons e válidos, vão ajudando à formação da minha opinião.
Podia perfeitamente não ter respondido a esta polémica na versão impressa do NG e deixado esta discussão apenas ao nível da blogosfera, votando-a a uma existência tão efémera quanto o são a maioria dos posts. Mas não. Faço-o aqui porque nunca fui de fugir ou esconder-me e porque acho que os meus leitores merecem.
Não porque A, B ou C, mais ou menos atrás de pseudónimos, ou nomes “anónimos”, acham que devo. Faço-o, acima de tudo, por uma questão de princípios. Dos quais não abdico.